quinta-feira, 7 de julho de 2011

Eu e minha fé

Eu e minha fé

Foto: Erick Paz

Observando um diálogo medíocre de gente que considero até intelectualmente esforçada, percebi como o julgamento é um comportamento comum a todos nós. Eles conversavam julgando o comportamento de terceiros, eu ouvindo e consequentemente julgando a eles e agora o martelo está com você. Vi como conseguimos de maneira “precisa” julgar alguém olhando superficialmente pra ele. É só observarmos uma atitude alheia [isolada], tirarmos conclusões precipitadas e pronto. Simples assim. Sem nenhuma responsabilidade com fatos ou qualquer coisa parecida.

Sei que é natural, é humano e todo mundo faz isso mas me estranha muito ver quem tem um discurso afiado de amor ao próximo [na teoria, claro] muitas vezes falar com um tom meio que de superioridade misturado com um pouco de nojo do comportamento dos outros. Sei lá…

Se eu sendo evangélico não acredito no evangelho que essas pessoas defendem, como que as pessoas que estão cada vez mais distantes de qualquer senso de moralidade e esperança vão ser alcançadas por esse cristianismo?

Fé não pode [e nem deveria] ser medida por práticas, pois do que adianta nossas obras cheias de espiritualidade se elas não transmitem amor nem mesmo compaixão, muitas vezes?

Já perdi a fé em muitas coisas; pessoas, organizações e até mesmo nas minhas próprias convicções, sou na maior parte do tempo um cético. Sobre tudo e todos. Mas isso não faz de mim o pior cristão do mundo. Tem gente em nome de Deus fazendo coisas muito mais terríveis. Gosto de pensar que esses meus questionamentos definem aquilo em que acredito ou não e se tem algo em que eu vou sempre acreditar é que existe alguém que, apesar de ser tido por muitos como uma “entidade” de tal importância que não pode se relacionar com o humano, está perto de mim. Eu chamo “isso” de DEUS e coloco toda a confiança que me resta N’Ele. Ainda que eu não O veja ou mesmo que não O perceba na maioria das vezes, sei que ele está ao meu alcance. Ainda que eu não ande em seus perfeitos caminhos, nos moldes como os homens determinaram que é o certo trilhar, sei que Ele até nos meus caminhos [escolhas] me guiará. Sempre!

Mas Ele sabe que nunca vou conseguir ser como aquela irmã que por ter “aceito” (termo que detesto ouvir nas igrejas) Jesus como Senhor da sua vida, acredita ser melhor que um católico, espírita, candomblecista, ou quem quer que seja apenas por ter fé em algo diferente que ela. Como eles sou apenas mais um miserável que nunca vou ser merecedor da tamanha graça. Mas ainda assim recebi da parte Dele.

Nem como aquele que em nome de seu  “chamado ministerial” (leia-se realização pessoal e necessidade de ser visto) abre mão de muitas “coisas do mundo” e junto com elas dos momentos devocionais que deveria nutrir enquanto as pessoas não podem o ver ou aplaudir. Sem seu instrumento ou seu microfone e fora de uma plataforma, palco, altar, como quiser.

Nem como aquele obreiro que parece ser aprovado aos olhos de todos, mas no seu interior sabe que é apenas uma fraude e que o evangelho que prega é tão raso quanto sua hombridade. Que apenas repete o que ouve de outros por conveniência ou por talvez não ter nenhuma outra causa que aceitaria alguém tão vazio, mas convincente, quanto ele. 

Ou talvez eu seja todos esses e mais aquele que você prefere apontar os defeitos, e que diga-se de passagem não são poucos!!

Esse sou eu e essa é a minha [pouca] fé!

*Depois do hiato tinha que ser um textão!

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